quarta-feira, 9 de março de 2011

UM LINDO GESTO DE PERDÃO





Numa bonita manhã de maio, aquela mãe saía de casa, conduzindo pela mão sua filhinha de dois anos. Ao abrir a porta viu junto a ela, envolta em trapos, uma linda garotinha com poucas horas de vida. A piedade fez com que a senhora voltasse imediatamente, levando consigo o embrulho humano. Chegou o marido, que concordou em adotar a criança como filha. Deram o nome de Vânia à meninazinha. Passou-se o tempo e as duas meninas cresciam fortes e inteligentes. Os pais tinham grande prazer em vê-las sempre companheiras. Vera e Vânia estudaram e se formaram juntas. Embora ambas houvessem recebido a mesma orientação, ao se tornarem adultas verificou-se forte diferença de caráter e de personalidade entre uma e a outra. A filha adotiva era humilde, dócil e compreensiva, enquanto Vera revelava-se desleal e presunçosa. Logo que ela percebeu a resignação da irmã adotiva, pôs-se a praticar ações pouco recomendáveis e lançar a culpa em Vânia. Ao fim de algum tempo, até pequenas importâncias em dinheiro começaram a desaparecer em casa, depois as jóias de menor valor, sem que se soubesse o paradeiro delas; mas sempre Vânia era acusada como sendo a responsável pela situação. Os sumiços continuaram, assim como as acusações, até que a mãe decidiu mandar a filha adotiva sair de casa, apontando-a como a enjeitada, que por um gesto de comiseração teve de ser adotada... Arrasada com tudo o que ouviu, Vânia arrumou seus pertences e em lágrimas despediu-se dos seus benfeitores. Poucas semanas após a sua partida, desapareceu a jóia de maior valor, que aquela senhora herdara da sua avó; em seguida, maior importância em dinheiro... A vaidade de Vera foi levando os pais a contraírem dívidas cada vez maiores, até que a casa teve de ser vendida. Nada mais restava e a pobreza tornou-se inevitável! Vânia, humilde e dedicada, acabou conquistando uma bolsa de estudos para o exterior, onde permaneceu uns poucos anos, estudando e trabalhando. Apesar de tudo, ela sentia saudade daqueles que lhes serviram de pais e foi assim que, ao saber do estado de miséria e desamparo deles, voltou ao seu país e ali procurou localizá-los. Com as economias feitas, adquiriu um imóvel e trouxe os pais para sua companhia, devolvendo, dessa forma, a alegria e a segurança que eles precisavam e, ao mesmo tempo, dando-lhes uma valiosa lição de perdão, de amor e confiança; exatamente aquilo que ela esperava receber, quando apontada pela irmã como culpada.

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